jeudi 28 mai 2020

EUA: “A crise global camufla as manobras geopolíticas dos EUA”

EUA: “A crise global camufla as manobras geopolíticas dos EUA”

A crise sanitária desatada pela pandemia do novo coronavírus não congelou a dinâmica da geopolítica mundial; apenas a camuflou diante dos olhos das massas, inundando os meios de comunicação com notícias alarmantes e apocalípticas, enquanto os EUA tentam se recuperar de suas últimas derrotas no cenário internacional intensificando o cerco à China, investindo contra o Irã e tentando cooptar a Rússia.
Primeira observação: nada está claro nos discursos midiáticos, que são em sua maioria teleguiados a partir de escritórios americanos. As contradições se sucedem e se sobrepõem: este vírus é natural (uma variante mais perniciosa da gripe sazonal) ou ele escapou voluntária ou involuntariamente de um laboratório chinês? A prática do confinamento é útil ou totalmente inútil, como a experiência sueca parece provar? Outros projetos parecem ser enxertados nesta pandemia: o de poder eventualmente controlar melhor as massas humanas aglutinadas nas grandes megacidades; o de uma vacinação planetária que beneficiaria em grande parte as instâncias da “Big Pharma”, hipótese aparentemente confirmada pelas declarações anteriores e atuais de Bill Gates; uma vacinação tão generalizada também permitiria obter os recursos acumulados pelas políticas sociais socialistas e keynesianas dos países industrializados da Europa. Além disso, o despreparo dos Estados Unidos e as confusões nas encomendas e distribuição de máscaras sanitárias, a discussão sobre medicamentos na França com o Dr. Didier Raoult como principal protagonista defendendo um tratamento simples com cloroquina, a hipótese muito recente contestando a validade dos tratamentos escolhidos para conter a doença, o abuso fatal na distribuição de Rivotril nos lares de idosos, tudo isso alega a favor da hipótese (conspiracionista?) de uma encenação planetária, destinada a ampliar o pânico: nesse sentido, o sistema político-midiático, dominado e estipendiado pela alta finança, pelos lobbies farmacêuticos e pelo GAFA, desempenharia bem seu papel no cenário que lhe teria sido ditado, o de preparar as massas para aceitar vacinas, confinamento e outras medidas policiais inéditas e inauditas mesmo em regimes considerados os mais repressivos. Entretanto, o canal de televisão francês LCI acaba de revelar que os altos índices de letalidade e contagiosidade do vírus têm sido consideravelmente exagerados após os discursos alarmistas e apocalípticos dos representantes da OMS. O confinamento, contra o qual a opinião pública alemã e holandesa se opõe veementemente, tem sido, portanto, totalmente inútil ou um pretexto para desenvolver novas técnicas de controle policial, imitando as futuras (mas muito próximas) “smart cities” chinesas, entre as quais citaremos sobretudo as técnicas de reconhecimento facial. Sejam quais forem as hipóteses que possam ser formuladas sobre os efeitos, reais ou forjados, da atual pandemia, é preciso admitir que as convulsões em curso no cenário político internacional, especialmente na Eurásia, não serão de forma alguma travadas pela pandemia: muito pelo contrário, os escritórios dos estrategistas estão preparando ativamente o mundo que seguirá a crise do vírus. Esta pandemia obviamente permite camuflar uma série de mudanças benéficas para o hegemon, apesar das fraquezas que o hegemon parece mostrar em seu declínio industrial, na decadência de sua sociedade ou nas falhas de seu sistema de saúde. É necessária, portanto, a vigilância de todos aqueles que desejam ver recuar o domínio muitas vezes sufocante deste hegemon.

Em primeiro lugar, a zona das grandes turbulências de conflitos parece estar deslizando dos complexos ucraniano-sírio e iraquiano em direção ao Mar do Sul da China. O principal inimigo do hegemon parece ser a China, muito claramente, enquanto que desde 1972 a China havia sido, pela primeira vez, um aliado de retaguarda contra a URSS, antes de se tornar um grande parceiro econômico, permitindo que a prática neoliberal de deslocalização para áreas asiáticas com mão-de-obra barata fosse implementada. A China, no complexo que alguns geopolitólogos chamavam de “Chinamérica”, era a oficina da economia real, produtora de bens concretos, enquanto o hegemon reservava os serviços para si e agora praticava uma economia virtual e especulativa, que pretendia descrever como inteiramente suficiente, enquanto a crise atual demonstra suas flagrantes insuficiências: não se pode prescindir da economia real com uma boa dose “política” de planificação ou regulamentação. As potências médias da Europa, subservientes à Americanosfera, imitaram essa prática desastrosa inaugurada pelo hegemon a partir do momento em que a China, embora ideologicamente “comunista”, tornou-se sua aliada na derrota da Rússia soviética. Nesse contexto, a Europa abandonou gradualmente suas práticas planistas ou o que Michel Albert chamou de “capitalismo (patrimonial) da Renânia”: é a Alemanha que está se autodestruindo, como descrito por Thilo Sarrazin, ou a França que está cometendo suicídio, como explicado por Eric Zemmour. A crise do coronavírus provou em particular que a França, e mesmo a Alemanha, não produzem mais pequenos bens de consumo elementares em quantidade suficiente, como as máscaras sanitárias, que hoje são fabricadas em países com mão-de-obra mais barata. Todos os erros do neoliberalismo deslocalizador vieram à tona no pano de fundo da crise econômica que vem ocorrendo desde o outono de 2008.
A China acumulou uma quantidade colossal de moeda estrangeira depois de aceitar este papel como oficina global. No entanto, a oficina global teve que assegurar rotas de comunicação marítimas e terrestres para levar estes produtos acabados aos seus destinos na Europa, bem como na África e América do Sul. Quando a China era uma aliada de retaguarda na Americanosfera durante a Guerra Fria, e mesmo durante uma ou duas décadas após o fim desse conflito virtual, ela não tinha vocação marítima e suas tarefas continentais/telúricas limitavam-se a consolidar suas franjas fronteiriças na Manchúria, sua fronteira com a Mongólia Exterior e a área do antigo Turquestão chinês, que estava sob influência soviética na época da grande miséria chinesa. Esta zona, outrora cobiçada por Stalin, é hoje o Sin-Kiang, povoado por uma minoria indígena uigur. A China praticou assim uma política de “contenção”, que também (e acima de tudo) serviu aos interesses dos Estados Unidos. Uma paz tácita foi então estabelecida na frente marítima taiwanesa e as duas Chinas chegaram até a prever uma reconciliação lato sensu, que talvez pudesse levar a uma rápida reunificação, semelhante à reunificação alemã. O Partido Comunista Chinês e o Kuo-Min Tang de Taiwan poderiam ter resolvido suas diferenças em nome de uma ideologia planística e produtivista efetiva.

A necessidade urgente de proteger as vias marítimas ao largo das próprias costas chinesas, em todo o Mar do Sul da China e até o gargalo de Cingapura, tem mudado gradualmente a situação. As manobras chinesas no Mar do Sul da China implicam, em uma etapa posterior e bastante previsível, se projetar muito além de Cingapura para a Índia (que pretendia estabelecer sua soberania sobre partes cada vez maiores do Oceano Índico) e depois para a Península Arábica e o Mar Vermelho para alcançar o Mediterrâneo: Em suma, uma atualização da política do Imperador Ming que havia apoiado pela primeira vez as expedições do Almirante Zheng He no século XV antes de cessar todo o apoio a esta política oceânica para se concentrar na muito cara exploração hidráulica da China continental. Xi Jinping, explica o grande geopolitólogo sinófilo e eurasiático Pepe Escobar, em artigo recente, não parece querer repetir o erro estritamente continentalista pelo qual o imperador Yong Le havia finalmente optado.

De fato, o gigantesco projeto da China atual é criar novas rotas da seda terrestres na grande massa continental eurasiática e, ao mesmo tempo, abrir rotas marítimas para o Oceano Índico, o Mar Vermelho e o Mediterrâneo, contando com uma ligação terrestre da China continental ao porto paquistanês de Gwadar, e depois abrir, com a ajuda da Rússia, uma segunda rota da seda marítima através do Ártico em direção a Hamburgo, Roterdã e Antuérpia. Este colossal projeto eurasiático é um grande desafio para o hegemon, que pretende dar continuidade à política exclusivamente talassocrática e de contenção do falecido Império Britânico e, consequentemente, sabotar todas as iniciativas que visam desenvolver as comunicações terrestres, seja por via ferroviária (como a Estrada de Ferro Transiberiana de 1904) ou por via fluvial, que poderiam relativizar ou minimizar a importância das comunicações oceânicas (as “Highways of Empire”). Os chineses se mostram mais seguidores de Friedrich List, um economista do desenvolvimento, do que de Karl Marx. List também foi uma das grandes inspirações para Sun Ya Tsen, cujo objetivo era tirar a China do “século da vergonha”. Para contrariar esse grande projeto, os Estados Unidos já estão sugerindo uma alternativa, também “listiana”, em meio à crise do coronavírus: bloquear a China a partir de Cingapura e sugerir à Rússia a exploração de rotas terrestres e ferroviárias siberianas, ou mesmo a rota ártica, que seria acoplada, através da construção de uma ponte sobre o Estreito de Bering, com rotas semelhantes no continente norte-americano. Isso também permitiria controlar a área designada como “Grande Oriente Médio”, abrangendo antigas repúblicas muçulmanas soviéticas e colocada sob o comando estratégico da USCENTCOM, ainda efetivamente apoiada pela posse da pequena ilha de Diego Garcia, um porta-aviões insubmersível no meio do Oceano Índico. Sem qualquer projeção válida para o Mediterrâneo e Ásia Central, a Rússia manteria apenas seu papel de “ponte” entre a Europa e a China, cuja única política marítima tolerada seria então limitada ao Mar da China do Sul, por um lado, e ao Continente Norte-Americano, por outro. O plano final da nova política do Deep State seria então: conter as ambições marítimas da China, envolver a Rússia em um projeto siberiano/áctico no qual a China não mais interviria, controlar o Grande Oriente Médio, sem que nem a China nem a Rússia pudessem controlar esta área e este mercado de qualquer forma.


A súbita irrupção do coronavírus e a culpabilidade da pandemia, que os círculos do Deep State atribuem à China e ao laboratório Wuhan para fins de propaganda, tornam possível empregar todas as estratégias e táticas para conter a China nas águas do Pacífico e deixá-la apenas no controle direto das águas próximas à sua costa, sem lhe permitir, é claro, saturar as Filipinas e com, além disso, um Vietnã consolidado pela ajuda americana, como uma ameaça permanente em seu flanco sul. O site “Asia Times”, sediado na Tailândia, lembrou, nestes dias, que o Estado Islâmico estava marcando pontos nas Filipinas, para desgosto do presidente filipino Rodrigo Duterte, irritado com o hegemon e apoiador de uma aproximação com a China: em suma, o cenário habitual …

Pepe Escobar delineia as duas primeiras sessões do XIIIº Congresso Nacional Popular, cuja terceira sessão seria realizada em 5 de março de 2020, mas foi adiada devido à crise do coronavírus. Já se pode imaginar que a China aceitará a ligeira recessão que sofrerá e dará a conhecer as medidas de austeridade a que será chamada a tomar. Para Escobar, as conclusões deste 13º Congresso darão uma resposta aos planos elaborados pelos Estados Unidos e colocados no papel pelo tenente-general H. R. McMaster. Este oficial militar do Pentágono descreve a China como representando três ameaças ao “mundo livre” com : 1) O programa “Made in China 2025” visando o desenvolvimento de novas tecnologias, em particular em torno da empresa Huawei e o desenvolvimento do 5G, indispensável para a criação das “smart cirites” do futuro e onde a China, em todas as aparências, deu um bom avanço; 2) Com o programa das “Rotas da Seda”, através do qual os chineses estão criando uma clientela de Estados, incluindo o Paquistão, e reorganizando a massa continental eurasiática; 3) com a fusão “militar-civil”, coagulação das idéias de Clausewitz e List, onde, através da telefonia móvel, a China se mostrará capaz de desenvolver grandes redes de espionagem e capacidades de ciberataque. No início de maio de 2020, Washington recusou-se a entregar componentes para a Huawei; a China retaliou colocando Apple, Qualcomm e Cisco em uma “lista de empresas não confiáveis” e ameaçou parar de comprar aeronaves civis de fabricação americana. Tudo isso, e Escobar não o menciona em seu recente artigo, em um contexto onde a China possui 95% das reservas de terras raras. Essas reservas têm permitido até o momento marcar pontos no desenvolvimento de novas tecnologias, incluindo o 5G e a telefonia móvel, objetos do principal ressentimento americano em relação a Pequim. Para enfrentar o avanço da China neste campo, o hegemon deve encontrar outras fontes de terras raras: daí a proposta indireta de Trump de comprar a Groenlândia do Reino da Dinamarca, formulada no outono passado e reformulada em meio à crise do coronavírus. A China está presente no Ártico, sob a cobertura de uma série de empresas de mineração em uma área altamente estratégica: a chamada passagem GIUK (Greenland-Iceland-United Kingdom) foi de extrema importância durante a Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria. Todo o espaço ártico está se tornando novamente assim, e ainda mais dados os recursos que contém, incluindo as raras terras que os Estados Unidos estão procurando se apropriar, e dada a passagem ártica, liberada do gelo pelos quebra-gelos russos movidos a energia nuclear, que se tornará uma rota mais curta e segura entre a Europa e o Extremo Oriente, entre o complexo portuário Antuérpia/Amesterdã/Hamburgo e os portos da China, Japão e Coréia. O hegemon tem, portanto, um duplo interesse nos projetos groenlandeses que ele tenta articular: se assentar e explorar os ativos geológicos da Groenlândia e sabotar a exploração da rota do Ártico. A crise do coronavírus oculta esta questão geopolítica e geoeconômica que preocupa a Europa em primeiro plano!


Voltemos ao XIIIº Congresso Nacional Popular de Maio de 2020: ele prevê como prioridade o desenvolvimento das regiões ocidentais (Sinkiang e Tibet), o fortalecimento dos laços com as ex-repúblicas soviéticas que fazem fronteira com essas regiões e, entre outras coisas, a construção de portos de águas profundas e uma política ecológica acentuada baseada no “carvão limpo”. O problema é que a iniciativa das Rotas da Seda (Belt & Road Initiative) está no fundo da lista de novas prioridades, o que em si é um triste revés.

O hegemon parece estar aliviando um pouco a pressão na Ucrânia, Síria e Iraque, mas o Irã continua sendo um inimigo a ser eliminado ou pelo menos implodido através de sanções. A severidade das medidas repressivas do hegemon está aumentando à medida que os europeus se concentram nos efeitos do Covid-19, apesar de seus recentes apelos por um relaxamento das sanções e da invenção de um ardil para contornar o embargo americano, que não está nada de acordo com seus interesses comerciais e geopolíticos. O Irã continua sendo um alvo importante, apesar da centralidade de seu território na zona devolvida à USCENTCOM ou “Grande Oriente Médio”: para controlar esta área, que já foi a da “civilização iraniana”, Washington busca implodir seu centro. A razão deste tenaz e particularmente agressivo ostracismo anti-iraniano é dupla: uma é a continuação de uma estratégia muito antiga, a outra é determinada pela própria existência do excedente de petróleo que o Irã pode usar para estabelecer uma hegemonia regional limitada. A estratégia muito antiga, hoje articulada pelos Estados Unidos, visa proibir que qualquer potência que opere a partir do território do Antigo Império Parta ingresse na costa oriental do Mediterrâneo. Os Estados Unidos, de fato, se apresentam, segundo o historiador-geopolitólogo Edward Luttwak, como herdeiros dos impérios romano, bizantino e otomano no Levante e na Mesopotâmia. A política romana de Trajano ao colapso dos bizantinos na região após os golpes dos exércitos muçulmanos, depois da morte do Profeta era manter os persas fora do Mediterrâneo e da Mesopotâmia. A crise do coronavírus permite, ao abrigo dos holofotes da mídia, demonizar ainda mais o Hezbollah no Líbano, sendo este partido xiita uma antena iraniana nas margens do Mediterrâneo oriental, ao mesmo tempo que é também um sólido baluarte contra o inimigo islamista-sunita oficial (mas que é um aliado real), representado pelo Estado Islâmico, e permitir que Netanyahu e seu novo governo composto e heteróclito anexem a Cisjordânia, virtualmente eliminando os remanescentes deixados à agora enfraquecida e desacreditada Autoridade Palestina. Contra o pano de fundo do caos indescritível que persiste entre a Síria e o Iraque, o hegemon consolida o Estado sionista, de fato qualificado como “judaico-herodiano” no sentido de que os reis Herodes eram peões dos romanos, para tornar a Judeia-Palestina uma barreira intransponível contra qualquer penetração persa. A Europa, ofuscada pelo invisível coronavírus, observa essa problemática mutação no Mediterrâneo oriental apenas com um olhar muito discreto. O outro peão de Washington na região é a Arábia Saudita, cuja política tem sido um tanto perturbada nos últimos meses, embora não se possa dizer que o acordo criado no convés do edifício USS Quincy em 1945 pelo rei Ibn Saud e presidente Roosevelt tenha sido fundamentalmente alterado, Isto é claramente demonstrado pelo apoio ocidental às políticas belicistas e genocídas dos sauditas no Iêmen, onde mercenários colombianos e eritreus estão operando em meio a uma crise do coronavírus: nesta região altamente estratégica, o hegemon e seus aliados avançam peões enquanto a mídia ocupa a opinião pública na Americanosfera com as histórias assustadoras de um coronavírus que não desaparecerá com o calor do verão e voltará à tona assim que as primeiras geadas do outono chegarem. O escritor palestino Said K. Aburish lembrou, em obras quase nunca citadas nas polêmicas em torno do conflito israelo-palestino, o sempre pró-ocidental papel dos sauditas, aliados tácitos do projeto sionista desde a Primeira Guerra Mundial, projeto imaginado pelo estudioso bíblico protestante que foi Sykes.

O valor agregado que o petróleo iraniano pode representar para a República Islâmica, como já foi para o Xá, poderia servir a um pólo econômico euro-iraniano, sem prejudicar de forma alguma a Rússia, o que o hegemon jamais admitiu, que não deseja ver qualquer intervenção (pacífica) europeia ou russa ou mesmo indiana e chinesa neste coração territorial do “Grande Oriente Médio”, que ele reserva exclusivamente para um próximo jogo de pôquer, a fim de torná-lo um território com uma “economia penetrada”, com uma demografia mais exponencial do que no resto do mundo (embora o Irã esteja passando por uma certa estagnação de nascimentos). O “Grande Oriente Médio” não é apenas uma reserva de hidrocarbonetos, mas também uma área onde ainda existem as gigantescas plantações de algodão da ex-URSS, que são de interesse para a indústria têxtil americana.

Trump – apesar das promessas eleitorais e das esperanças que ele havia levantado entre milhões de ingênuos que acreditavam que ele derrotaria o Deep State, completamente formatado pelos cenáculos “neocons”, por si só – não impediu o recrutamento de uma nova geração de neocons para os arcanos de seu governo e para o Departamento Americano de Relações Exteriores: assim, para o Oriente Médio, Simone Ledeen, filha do neoconservador ultra-intervencionista Michael Ledeen, dará no futuro os contornos da política americana nesta região de grande turbulência. Ela é autora, com seu pai, de um livro intitulado How We Can Win the Global War, no qual a América está acampada como um império do Bem, absolutamente bondoso, mas sitiada por uma série de inimigos perniciosos dos quais se diz que o Irã é o principal instigador, o centro da conspiração antiamericana no mundo. Esta nova promoção de uma dama neoconservadora da mais pura estirpe, posicionada na máquina da política externa neoconservadora desde 2003, ocorreu durante o período da crise do coronavírus.

Finalmente, a crise global do coronavírus camufla as manobras atuais do hegemon em seu próprio hemisfério, buscando arruinar a dimensão quadricontinental que os BRICS poderiam ter assumido quando o Brasil fazia parte dele e quando a Argentina estava próxima a ele. Hoje, em meio à crise do Covid-19, os Estados Unidos intensificam a pressão contra a Venezuela, agitando no Caribe, onde está implantando sua frota, insurgindo contra a escolta de petroleiros iranianos pela marinha da República Islâmica do Irã, quando nada no direito internacional poderia incriminar as relações comerciais bilaterais entre dois países boicotadas pelos Estados Unidos e, seguindo-os, por toda a esfera americana. Ao mesmo tempo, Trump, que foi eleito para contrariar as ações do Deep State, mas que agora as favorece à sua maneira, declarou sua retirada do Tratado de Céu Aberto, que permitia aos signatários monitorar os movimentos militares uns dos outros, no interesse da transparência e da pacificação. Com a retirada americana do tratado sobre o programa nuclear iraniano, temos as premissas de uma nova guerra fria, premissas que a Rússia deplora mas que, na Europa Ocidental, são deliberadamente apagadas das preocupações das massas, apavoradas pela progressão, real ou imaginária, do coronavírus, presas às suas telas para contar os mortos, preocupadas com a compra de máscaras ou géis hidroalcoólicos ou esperando o lançamento de uma vacina no mercado farmacêutico. Durante essas agitações prosaicas, geradas pelo soft power e pelas técnicas da guerra quarto-dimensional, os peões americanos da nova Guerra Fria são avançados, ancorados na realidade estratégica.

A crise não congelou a dinâmica da geopolítica mundial; camuflou-a dos olhos das massas; inundou a mídia com notícias alarmantes, mais ou menos artificiais, enquanto os protagonistas da “grande política” acumulavam seus arsenais e desenvolviam estratégias a serem aplicadas a partir da terceira década do século XXI.

Fonte: Strategika
Robert Steuckers
Nascido em 1956, em Uccle, Bélgica, formou-se no Instituto Maria Haps, ligado à Universidade de Louvain, onde obteve o mestrado em inglês e alemão. Ele dirigiu um escritório de tradução em Bruxelas durante vinte anos antes de se dedicar a várias tarefas de ensino de idiomas. Ele criara o think tank “Synergies européennes” em 1994, que organizou cursos de verão na França, Itália e Alemanha. Ele administra, com outros, o site Euro-Synergies, que apresenta aproximadamente 17.000 artigos. Steuckers é autor de vários livros e ensaios, especialmente a trilogia Europe, verdadeira summa sobre a identidade e história dos povos europeus, assim como La révolution conservatrice allemande e Sur et autour de Carl Schmitt.

mercredi 27 mai 2020

Peut-on définir une géopolitique du coronavirus ?



Peut-on définir une géopolitique du coronavirus ?

Par Robert Steuckers

Première remarque : rien n’est clair dans les discours médiatiques, majoritairement téléguidés depuis les officines américaines. Les contradictions se succèdent et se superposent : ce virus est-il naturel (une variante plus pernicieuse de la grippe saisonnière) ou s’est-il échappé volontairement ou involontairement d’un laboratoire chinois ? La pratique du confinement est-elle utile ou totalement inutile comme semble le prouver l’expérience suédoise ? Sur cette pandémie, d’autres projets semblent se greffer : celui de pouvoir à terme contrôler davantage les masses humaines agglutinées dans les grandes mégapoles ; celui d’une vaccination planétaire qui profiterait largement aux instances de la « Big Pharma », hypothèse apparemment confirmée par les déclarations antérieures et actuelles de Bill Gates ; une telle vaccination généralisée permettrait en outre de faire main basse sur les fonds accumulés par les politiques sociales, socialistes et keynésiennes, des pays industrialisés d’Europe. Par ailleurs, l’impréparation des Etats et les cafouillages dans les commandes et distributions de masques sanitaires, la querelle sur les médicaments en France avec comme principal protagoniste le Dr. Didier Raoult préconisant un traitement simple à la chloroquine, la très récente hypothèse contestant la validité des traitements choisis pour enrayer la maladie, l’abus fatal dans la distribution de Rivotril dans les maisons de soins et de retraite, plaident en faveur de l’hypothèse (complotiste ?) d’une mise en scène planétaire, visant à créer et à amplifier la panique : dans ce sens, le système politico-médiatique, dominé et stipendié par la haute finance, les lobbies pharmaceutiques et les GAFA,  jouerait bien son rôle dans le scénario qui lui aurait été dicté, celui de préparer les masses à accepter vaccins, confinement et autres mesures policières inouïes et inédites, même dans les régimes considérés comme les plus répressifs. La chaîne de télévision française LCI vient pourtant de révéler que les taux élevés de létalité et de contagiosité du virus ont été considérablement exagérés suite aux discours alarmistes et apocalyptiques des représentants de l’OMS. Le confinement, contre lequel les opinions publiques allemande et néerlandaise se rebiffent avec véhémence, a donc été totalement inutile ou prétexte à mettre au point des techniques de contrôle policier inédites, imitées de celles en place dans les futures (mais très prochaines) « smart cities » chinoises, parmi lesquels on citera surtout les techniques de reconnaissance faciale. Quelles que soient les hypothèses qui l’on peut formuler sur les effets, réels ou fabriqués, de la pandémie actuelle, force est d’admettre que les bouleversements en cours sur l’échiquier politique international, surtout eurasien, ne seront nullement stoppés par la pandémie : bien au contraire, les officines des stratégistes préparent activement le monde qui suivra la crise du virus. Cette pandémie  permet à l’évidence de camoufler un ensemble de glissements bénéfiques à l’hegemon, en dépit des faiblesses que celui-ci semble montrer, dans son recul industriel, dans la déliquescence de sa société ou dans les défaillances de son système de santé. La vigilance de tous ceux qui souhaitent voir reculer l’emprise souvent étouffante de cet hegemon est donc de mise.



D’abord, la zone des turbulences conflictuelles majeures semble glisser des complexes ukraino-syrien et irakien vers la Mer de Chine du Sud. L’ennemi principal de l’hegemon semble devenir la Chine, très clairement, alors que depuis 1972, la Chine avait d’abord été l’allié de revers contre l’URSS, avant de devenir un partenaire économique majeur permettant de mettre en oeuvre la pratique néolibérale de la délocalisation vers les zones asiatiques à main-d’œuvre bon marché. La Chine, dans le complexe que certains géopolitologues nommaient la « Chinamérique », était l’atelier de l’économie réelle, productrice de biens concrets, tandis que l’hegemon se réservait les services et pratiquait désormais une économie virtuelle et spéculatrice, qu’il entendait décrire comme entièrement suffisante alors que la crise actuelle démontre ses insuffisances criantes : l’on ne peut pas se passer de l’économie réelle assortie d’une bonne dose « politique » de planification ou de régulation. Les puissances moyennes d’Europe, inféodées à l’américanosphère, ont imité cette funeste pratique inaugurée par l’hegemon dès le moment où la Chine, bien que « communiste » sur le plan idéologique, était devenue son alliée de revers contre la Russie soviétique. Dans ce contexte, l’Europe a progressivement abandonné ses pratiques planistes ou ce que Michel Albert avait appelé le « capitalisme (patrimonial) rhénan » : c’est l’Allemagne qui s’auto-déconstruit, décrite par Thilo Sarrazin, ou la France qui se suicide, explicitée par Eric Zemmour. La crise du coronavirus a prouvé notamment que la France, et même l’Allemagne, ne produisaient plus de petits biens de consommation élémentaires en quantités suffisantes, comme les masques sanitaires, désormais manufacturés dans les pays à main d’œuvre meilleur marché. Toutes les erreurs du néolibéralisme délocalisateur sont apparues au grand jour, sur fond de crise économique larvée depuis l’automne 2008.


La Chine a accumulé une masse colossale de devises après avoir accepté ce rôle d’atelier planétaire. L’atelier planétaire devait cependant sécuriser les voies de communication maritimes et terrestres pour acheminer ces produits finis vers leurs lieux de destination, en Europe comme en Afrique ou en Amérique du Sud. Quand la Chine était un allié de revers de l’américanosphère au temps de la guerre froide, et même pendant une ou deux décennies après la fin de ce conflit virtuel, elle n’avait aucune vocation maritime et ses tâches continentales/telluriques se limitaient à consolider ses franges frontalières en Mandchourie, sa frontière avec la Mongolie extérieure et la zone de l’ex-Turkestan chinois, qui avait été sous influence soviétique au temps de la grande misère chinoise. Cette zone, jadis convoitée par Staline, est le Sin-Kiang actuel, peuplé d’une minorité autochtone ouïghour.  La Chine pratiquait ainsi une politique de « containment », d’endiguement, qui servait aussi (et surtout) les intérêts des Etats-Unis. Une paix tacite s’était alors installée sur le front maritime taïwanais et les deux Chines envisageaient même une réconciliation lato sensu, pouvant peut-être mener à une réunification rapide, semblable à la réunification allemande. Le Parti communiste chinois et le Kuo-Min Tang taïwanais auraient pu aplanir leurs différends au nom d’une idéologique planiste et productiviste efficace.
La nécessité impérieuse de sécuriser les voies maritimes au large des littoraux chinois eux-mêmes, dans l’ensemble de la Mer de Chine du Sud et jusqu’au goulot d’étranglement qu’est Singapour, a changé progressivement la donne. Les nouvelles menées chinoises en Mer de Chine du Sud impliquaient, à une étape ultérieure et tout-à-fait prévisible, de se projeter très loin au-delà de Singapour vers l’Inde (qui, elle, visait à asseoir sa souveraineté sur des portions de plus en plus vastes de l’Océan Indien) puis vers la péninsule arabique et la Mer Rouge pour arriver jusqu’en Méditerranée : bref, une réactualisation de la politique de l’Empereur Ming qui avait d’abord soutenu les expéditions de l’Amiral Zheng He au 15ème siècle avant de cesser tout appui à cette politique océanique pour se concentrer sur la rentabilisation hydraulique, très coûteuse, de la Chine continentale. Xi Jiping, explique le grand géopolitologue sinophile et eurasiste Pepe Escobar, dans un article récent, ne semble pas vouloir répéter l’erreur strictement continentaliste pour laquelle l’Empereur Yong Le avait fini par opter.


En effet, le projet gigantesque de la Chine actuelle est de créer sur la grande masse continentale eurasiatique, de nouvelles routes de la soie terrestres et, simultanément, d’ouvrir des voies maritimes vers l’Océan Indien, la Mer Rouge et la Méditerranée, en tablant sur un lien terrestre partant de Chine continentale vers le port pakistanais de Gwadar, puis d’ouvrir, avec le concours de la Russie, une seconde route de la soie maritime à travers l’Arctique en direction de Hambourg, Rotterdam et Anvers. Ce projet colossal et eurasien constitue un défi majeur à l’hegemon qui entend poursuivre la politique exclusivement thalassocratique et endiguante de feu l’Empire britannique et, partant, de saboter toutes les initiatives visant à développer les communications terrestres, par voies ferrées (comme le Transsibérien de 1904) ou par voies fluviales, qui pourraient relativiser ou minimiser l’importance des communications océaniques (les « Highways of Empire »). Les Chinois se montrent davantage disciples de Friedrich List, économiste du développement, que de Karl Marx. List était d’ailleurs l’un des grands inspirateurs de Sun Ya Tsen, dont l’objectif était de sortir la Chine du « siècle de la honte ». Les Etats-Unis, pour contrer ce projet de grande envergure, suggèrent déjà une alternative, également « listienne », en pleine crise du coronavirus : bloquer la Chine devant Singapour et suggérer à la Russie l’exploitation des voies terrestres et ferroviaires de Sibérie, voire la route de l’Arctique, qui seraient à coupler, via la construction d’un pont sur le Détroit de Bering, à des voies similaires sur le continent nord-américain. Ce qui permettrait de contrôler aussi l’espace désigné comme le « Greater Middle East », englobant des républiques musulmanes ex-soviétiques et placé sous le commandement stratégique de l’USCENTCOM, toujours appuyé efficacement par la possession de la petite île de Diego Garcia, porte-avion insubmersible au beau milieu de l’Océan Indien. Sans plus aucune projection valide vers la Méditerranée et l’Asie centrale, la Russie ne conserverait que son rôle de « pont » entre l’Europe, la Chine, dont la seule politique maritime tolérée serait alors limitée à la seule Mer de Chine du Sud, d’une part, et le Continent nord-américain, d’autre part. Le plan final de la nouvelle politique du Deep State serait alors : de contenir les velléités maritimes de la Chine, d’englober la Russie dans un projet sibérien/arctique où la Chine n’interviendrait plus, contrôler le Greater Middle East, sans que ni la Chine ni la Russie ne puissent en rien contrôler cet espace et ce marché.

L’irruption soudaine du coronavirus et la culpabilité de la pandémie, que les caucus du Deep State attribuent à la Chine et au laboratoire de Wuhan pour les besoins de la propagande, permet de déployer toutes les stratégies et tactiques pour endiguer la Chine dans les eaux du Pacifique et à ne lui laisser le contrôle direct que des eaux à proximité de son littoral, sans qu’il ne lui soit permis, bien sûr, de satelliser les Philippines et avec, en plus, un Vietnam consolidé par des aides américaines, comme menace permanente sur son flanc sud. Le site « Asia Times », basé en Thaïlande, rappelait, ces jours-ci, que l’Etat islamique marquait des points aux Philippines, au grand dam du président philippin Rodrigo Duterte, fâché avec l’hegemon et partisan d’un rapprochement avec la Chine : bref, le scénario habituel…

Pepe Escobar esquisse les grandes lignes des deux premières sessions du 13ème Congrès national du peuple, dont la troisième session devait se tenir le 5 mars 2020 mais a été postposée à cause de la crise du coronavirus. On peut d’ores et déjà imaginer que la Chine acceptera la légère récession dont elle sera la victime et fera connaître les mesures d’austérité qu’elle sera appelée à prendre. Pour Escobar, les conclusions de ce 13ème Congrès apporteront une réponse aux plans concoctés par les Etats-Unis et couchés sur le papier par le Lieutenant-Général H. R. McMaster. Ce militaire du Pentagone décrit une Chine constituant trois menaces pour le « monde libre » avec : 1) Le programme « Made in China 2025 » visant le développement des nouvelles technologies, notamment autour de la firme Huawei et du développement de la 5G, indispensable pour créer les « smart cities » de l’avenir et où la Chine, en toute apparence, s’est dotée d’une bonne longueur d’avance ; 2) avec le programme des « routes de la soie », par lequel les Chinois se créent une clientèle d’Etats, dont le Pakistan, et réorganisent la masse continentale eurasienne ; 3) avec la fusion « militaire/civile », coagulation des idées de Clausewitz et de List, où, via la téléphonie mobile, la Chine s’avèrera capable de développer de larges réseaux d’espionnage et des capacités de cyber-attaques. 

Début mai 2020, Washington refuse de livrer des composantes à Huawei ; la Chine rétorque en plaçant Apple, Qualcomm et Cisco sur une « liste d’entreprises non fiables » et menace de ne plus acheter d’avions civils de fabrication américaine. Le tout, et Escobar n’en parle pas dans son article récent, dans un contexte où la Chine dispose de 95% des réserves de terres rares. Ces réserves lui ont permis, jusqu’ici, de marquer des points dans le développement des nouvelles technologies, dont la 5G et la téléphonie mobile, objets du principal ressentiment américain à l’égard de Pékin. Pour affronter l’avance chinoise en ce domaine, l’hegemon doit trouver d’autres sources d’approvisionnement en terres rares : d’où la proposition indirecte de Trump d’acheter le Groenland au royaume de Danemark, formulée l’automne dernier et reformulée en pleine crise du coronavirus. La Chine est présente dans l’Arctique, sous le couvert d’une série de sociétés d’exploitation minière dans une zone hautement stratégique : le passage dit « GIUK » (Greenland-Iceland-United Kingdom) a été d’une extrême importance pendant la seconde guerre mondiale et pendant la guerre froide. L’ensemble de l’espace arctique le redevient, et de manière accrue, vu les ressources qu’il recèle, dont les terres rares que cherchent à s’approprier les Etats-Unis, et vu le passage arctique, libéré des glaces par les brise-glaces russes à propulsion nucléaire, qui deviendra une route plus courte et plus sécurisée entre l’Europe et l’Extrême-Orient, entre le complexe portuaire Anvers/Amsterdam/Hambourg et les ports chinois, japonais et coréens. L’hegemon a donc un double intérêt dans ses projets groenlandais qu’il est en train d’articuler : s’installer et profiter des atouts géologiques du Groenland, saboter l’exploitation de la route arctique. La crise du coronavirus cache cette problématique géopolitique et géoéconomique qui concerne l’Europe au tout premier plan ! 

Revenons au 13ème Congrès national du Peuple de mai 2020 : il prévoit en priorité le développement des régions occidentales (Sinkiang et Tibet), un renforcement des liens avec les républiques ex-soviétiques qui ont une frontière avec ces régions, et, entre autres choses, la construction de ports en eaux profondes, une politique écologique accentuée basée sur le « charbon propre ». Le problème est que l’initiative des routes de la soie (« Belt & Road Initiative ») arrive en queue des priorités nouvelles, ce qui constitue en soi un recul navrant.

L’hegemon semble lâcher quelque peu la pression en Ukraine, en Syrie et en Irak mais l’Iran demeure un ennemi à éliminer ou, du moins, à faire imploser à coups de sanctions. La rigueur des mesures répressives de l’hegemon s’amplifie pendant que les Européens se focalisent sur les effets du Covid-19, alors qu’ils avaient réclamé récemment un relâchement des sanctions et inventé une ruse pour contourner l’embargo américain qui ne va pas du tout dans le sens de leurs intérêts commerciaux et géopolitiques. L’Iran reste une cible majeure, en dépit de la centralité de son territoire dans la zone dévolue à l’USCENTCOM ou « Greater Middle East » : pour contrôler cet espace, qui fut jadis celui de la « civilisation iranienne », Washington cherche à en faire imploser le centre. 

La raison de ce tenace ostracisme anti-iranien, particulièrement agressif, tient à deux raisons essentielles : l’une relève d’une stratégie très ancienne, l’autre est déterminée par l’existence même de la plus-value pétrolière que l’Iran peut utiliser pour asseoir une hégémonie régionale et limitée. La stratégie très ancienne, articulée aujourd’hui par les Etats-Unis, vise à interdire à toute puissance s’exerçant au départ du territoire de l’Empire parthe antique de déboucher sur la côte orientale de la Méditerranée. Les Etats-Unis, en effet, se posent, avec l’historien-géopolitologue Edward Luttwak comme les héritiers des empires romains, byzantins et ottomans au Levant et en Mésopotamie. La politique romaine, depuis Trajan jusqu’à l’effondrement des Byzantins dans la région suite aux coups des armées musulmanes, après la mort du Prophète, était de maintenir les Perses éloignés de la Méditerranée et de la Mésopotamie. La crise du coronavirus permet, à l’abri des feux de rampe médiatiques, de diaboliser davantage encore le Hizbollah au Liban, ce parti chiite étant une antenne iranienne sur les rivages de la Méditerranée orientale alors qu’il est aussi un rempart solide contre l’ennemi islamiste-sunnite officiel (mais qui est un allié réel), représenté par l’EIIL, et de permettre à Netanyahu et à son nouveau gouvernement composite et hétéroclite d’annexer la Cisjordanie, en réduisant quasiment à néant les reliquae reliquarum laissés à l’autorité palestinienne, désormais affaiblie et décrédibilisée. 

Avec pour arrière-plan le chaos indescriptible qui persiste entre la Syrie et l’Irak, l’hegemon consolide l’Etat sioniste, en fait qualifiable de « judéo-hérodien » dans le sens ou les rois Hérode étaient des pions des Romains, pour faire de la Judée-Palestine une barrière infranchissable contre toute pénétration perse. L’Europe, obnubilée par l’invisible et peut-être fictif coronavirus, n’observe que d’un œil très discret cette mutation problématique à l’œuvre dans la Méditerranée orientale. L’autre pion de Washington dans la région est l’Arabie Saoudite, dont la politique a été quelque peu bousculée au cours de ces derniers mois, sans que l’on puisse dire que la donne créée sur le pont du bâtiment USS Quincy en 1945 par le Roi Ibn Séoud et le Président Roosevelt ait été fondamentalement altérée, comme le montre très bien l’appui occidental à la politique belliciste et génocidaire que pratiquent les Saoudiens au Yémen, où interviennent des mercenaires colombiens et érythréens, en plein crise du coronavirus : dans cette région hautement stratégique, l’hegemon et ses alliés avancent des pions tandis que les médias occupent les opinions publiques de l’américanosphère avec les histoires effrayantes d’un coronavirus qui ne disparaîtrait pas avec les chaleurs estivales et reviendrait à la charge dès les premiers frimas de l’automne. L’écrivain palestinien Said K. Aburish a rappelé, dans des ouvrages qui ne sont pratiquement jamais cités dans les polémiques tournant autour du conflit israélo-palestinien, le rôle toujours pro-occidental des Saoudiens, alliés tacites du projet sioniste depuis la première guerre mondiale, projet imaginé par ce bibliste protestant que fut Sykes.  

La plus-value que peut constituer le pétrole iranien pour la République islamique, comme elle l’était jadis pour le Shah, pourrait servir un pôle économique euro-iranien, sans aucunement léser la Russie, ce que n’a jamais admis l’hegemon, qui souhaite ne voir aucune intervention (pacifique) européenne ou russe ou même indienne et chinoise dans ce cœur territorial du « Greater Middle East » qu’il se réserve en toute exclusivité pour un coup de poker prochain, afin d’en faire un territoire à « économie pénétrée » avec une démographie plus exponentielle que dans le reste du monde (bien que l’Iran connaisse une certaine stagnation des naissances). Le « Greater Middle East » est non seulement une réserve d’hydrocarbures mais un espace où subsistent les gigantesques cotonnades de l’ex-URSS, qui intéressent l’industrie textile américaine.

Trump  -en dépit des promesses électorales et des espoirs qu’il avait suscités chez des millions de naïfs, qui croyaient qu’il allait vaincre tout seul le Deep State totalement formaté par les cénacles « néocons »-  n’a pas empêché le recrutement de néocons d’une génération nouvelle dans les arcanes de son gouvernement et au sein du ministère américain des affaires étrangères : ainsi, pour le Moyen Orient, Simone Ledeen, fille du néo-conservateur musclé Michael Ledeen, donnera dans l’avenir les contours de la politique américaine dans cette région de grandes turbulences. Elle est l’auteur, avec son père, d’un ouvrage intitulé How We Can Win the Global War, où l’Amérique est campée comme un empire du Bien, débonnaire mais assiégé par un certain nombre d’ennemis pernicieux dont l’Iran serait le principal instigateur, le centre du complot anti-américain dans le monde. Cette nouvelle promotion d’une dame néo-conservatrice de la plus pure eau, en place dans les rouages de la politique étrangère néo-conservatrice depuis 2003, s’est effectuée pendant la période de la crise du coronavirus.    

Enfin, la crise planétaire du coronavirus camoufle les manœuvres actuelles de l’hegemon dans son propre hémisphère, cherchant à ruiner la dimension quadricontinentale qu’auraient pu revêtir les BRICS quand le Brésil en faisait partie et quand l’Argentine s’en rapprochait. Aujourd’hui, en pleine crise du Covid-19, les Etats-Unis démultiplient les pressions contre le Venezuela, s’agitent dans les Caraïbes où ils déploient leur flotte, s’insurgent contre l’escorte des pétroliers iraniens par la marine de la RII, alors que rien, en droit international, ne pourrait incriminer les relations commerciales bilatérales entre deux pays boycottés par les Etats-Unis et, à leur suite, par l’ensemble de américano sphère. Au même moment, Trump, que l’on a élu pour contrer les menées du Deep State mais qui les favorise désormais d’une manière qui est la sienne propre, déclare se retirer du Traité « Ciel Ouvert »/ »Open Skies », qui permettait aux signataires de surveiller leurs mouvements militaires réciproques, dans un souci de transparence et de pacification. Avec le retrait américain du traité sur le programme nucléaire iranien, nous avons les prémisses d’une nouvelle guerre froide, prémisses que déplore la Russie mais qui, en Europe occidentale, sont délibérément effacées des préoccupations des masses, affolées par la progression, réelle ou imaginaire, du coronavirus, collées à leurs écrans pour comptabiliser les morts, préoccupées par l’achat de masques ou de gels hydro-alcooliques ou espérant le lancement d’un vaccin sur le marché pharmaceutique. Pendant ces agitations prosaïques, générées par le soft power et les techniques de la guerre de quatrième dimension, les pions américains de la nouvelle guerre froide sont avancés, ancrés dans le réel stratégique.
La crise n’a donc nullement gelé les dynamiques de la géopolitique mondiale, elle les a camouflées aux regards des masses ; elle a permis d’inonder les médias de nouvelles alarmantes plus ou moins artificielles, tandis que les protagonistes de la « grande politique » fourbissaient leurs arsenaux et mettaient au point les stratégies à appliquer dès la troisième décennie du 21ème siècle.

Robert Steuckers.

¿Se puede definir una geopolítica del coronavirus?

Robert Steuckers
Traducción: Carlos X. Blanco

Primera observación: nada está claro en el discurso de los medios de comunicación, que en su mayoría son teledirigidos desde las farmacéuticas americanas.

Las contradicciones se suceden y se superponen: ¿este virus es natural (una variante más perniciosa de la gripe estacional) o se escapó voluntaria o involuntariamente de un laboratorio chino? ¿La práctica de la contención es útil o totalmente inútil, como parece demostrar la experiencia sueca? En esta pandemia parecen estar injertados otros proyectos: el de poder controlar mejor, en su momento, las masas humanas aglutinadas en las grandes megalópolis; el de una vacunación planetaria que beneficiaría en gran medida a las autoridades de la "Big Pharma", hipótesis aparentemente confirmada por las declaraciones tanto anteriores como actuales de Bill Gates; una vacunación tan generalizada permitiría también hacerse con los fondos acumulados por las políticas sociales socialistas y keynesianas de los países industrializados de Europa. Por otra parte, la falta de preparación de los Estados y los desórdenes en los pedidos y la distribución de las mascarillas sanitarias, la disputa sobre las drogas en Francia con el Dr. Didier Raoult como principal protagonista que aboga por un simple tratamiento con cloroquina, la muy reciente hipótesis que pone en tela de juicio la validez de los tratamientos elegidos para frenar la enfermedad, el abuso fatal en la distribución de Rivotril en los centros asistenciales y de ancianos, todo ello aboga a favor de la hipótesis (¿conspiración? ) de una puesta en escena planetaria, destinada a crear y amplificar el pánico: en este sentido, el sistema político-mediático, dominado y estipulado por las altas finanzas, los grupos de presión farmacéuticos y el GAFA, desempeñaría bien su papel en el escenario que se le habría dictado, el de preparar a las masas para aceptar las vacunas, el confinamiento y otras medidas policiales inéditas y sin precedentes, incluso en los regímenes considerados como los más represivos. Sin embargo, el canal de televisión francés LCI acaba de revelar que las altas tasas de letalidad y contagio del virus se han exagerado considerablemente tras los discursos alarmistas y apocalípticos de los representantes de la OMS. La contención, contra la cual la opinión pública alemana y holandesa se opone con vehemencia, ha sido por lo tanto totalmente inútil o bien ha sido un pretexto para desarrollar nuevas técnicas de control policial, imitando a las técnicas que existen en las futuras (pero muy próximas) "ciudades inteligentes" chinas, entre las que mencionaremos sobre todo las técnicas de reconocimiento facial. Cualesquiera que sean las hipótesis que puedan formularse sobre los efectos, reales o inventados, de la actual pandemia, hay que admitir que los trastornos que se están produciendo actualmente en la escena política internacional, sobre todo en Eurasia, no se verán en modo alguno detenidos por la pandemia: al contrario, las oficinas de los estrategas ya están preparando activamente el mundo que seguirá a la crisis del virus. Esta pandemia nos permite, obviamente, camuflar una serie de cambios beneficiosos para el hegemón, a pesar de las debilidades que éste parece mostrar en su declive industrial, en la decadencia de su sociedad o en los fallos de su sistema sanitario. Por lo tanto, se requiere la vigilancia de todos aquellos que desean ver el agarre a menudo sofocante de este hegemón que se retira.

 
 
En primer lugar, la zona de mayor turbulencia conflictiva parece estar desplazándose de los complejos ucranio-sirio e iraquí hacia el Mar de China Meridional. El principal enemigo del hegemón parece ser China, muy claramente, mientras que desde 1972, China fue, primero, el aliado de los reveses contra la URSS, antes de convertirse en un importante socio económico que permitió la práctica neoliberal de la reubicación en zonas asiáticas con mano de obra barata. China, en el complejo que algunos geopolitólogos llamaron "Chinamérica", era el taller de la economía real, que producía bienes concretos, mientras que el hegemón se reservaba los servicios para sí mismo y ahora practicaba una economía virtual y especulativa, que pretendía calificar de totalmente suficiente, mientras que la crisis actual demuestra sus flagrantes insuficiencias: no se puede prescindir de la economía real con una buena dosis de planificación o regulación "política". Las potencias medias de Europa, sumisas a la americanización, han imitado esta desastrosa práctica inaugurada por el hegemón desde el momento en que China, aunque ideológicamente "comunista", se convirtió en su aliado para derrotar a la Rusia soviética. En este contexto, Europa abandonó gradualmente sus prácticas planificadoras o lo que Michel Albert había llamado "capitalismo renano (patrimonial)": es la Alemania la que se autodestruye, descrita por Thilo Sarrazin, o Francia la que se suicida, explicada por Eric Zemmour. La crisis del coronavirus demostró, entre otras cosas, que Francia, e incluso Alemania, ya no producían pequeños bienes de consumo básicos en cantidades suficientes, como las mascarillas sanitarias, que ahora se fabrican en países con mano de obra más barata. Todos los errores del neoliberalismo y la deslocalización han salido a la luz con el telón de fondo de la crisis económica que se está gestando desde el otoño de 2008.

China ha acumulado una cantidad colosal de divisas tras aceptar este papel como taller mundial. Sin embargo, el taller planetario tuvo que asegurar las rutas de comunicaciones marítimas y terrestres para llevar estos productos terminados a sus destinos en Europa, África y América del Sur. Cuando China fue un aliado reincidente en la esfera americana durante la Guerra Fría, e incluso durante una o dos décadas después del final de este virtual conflicto, no tenía vocación marítima y sus tareas continentales/telúricas se limitaban a consolidar sus franjas fronterizas en Manchuria, su frontera con la Mongolia Exterior y la zona del antiguo Turquestán Chino, que había estado bajo influencia soviética en la época de la gran miseria de China. Esta área, una vez codiciada por Stalin, es el actual Sin-Kiang, poblado por una minoría indígena Uighur.  Así pues, China practicó una política de "contención", de contención, que también (y sobre todo) sirvió a los intereses de los Estados Unidos. Se estableció entonces una paz tácita en el frente marítimo taiwanés y los dos estados chinos llegaron incluso a prever una reconciliación lato sensu, que tal vez podría conducir a una rápida reunificación, similar a la reunificación alemana. El Partido Comunista Chino y el Kuo-Min Tang de Taiwán podrían haber resuelto sus diferencias en nombre de una ideología planificadora y productivista efectiva.

 
La urgente necesidad de asegurar las vías marítimas de las propias costas chinas, a lo largo del Mar de China Meridional y hasta el cuello de botella de Singapur, ha cambiado gradualmente la situación. Las noticias chinas en el Mar de la China Meridional implicaban, en una etapa posterior y bastante previsible, proyectarse mucho más allá de Singapur a la India (que pretendía establecer su soberanía sobre partes cada vez más grandes del Océano Índico) y luego a la Península Arábiga y el Mar Rojo para llegar al Mediterráneo. En resumen, una actualización de la política del Emperador Ming que había apoyado primero las expediciones del Almirante Zheng He en el siglo XV antes de dejar de apoyar esta política oceánica para concentrarse en la muy costosa explotación hidráulica de la China continental. Xi Jiping, explica el gran geopolitólogo sinófilo y euroasiático Pepe Escobar, en un artículo reciente, no parece querer repetir el error estrictamente continentalista por el que finalmente optó el emperador Yong Le.

 
En efecto, el gigantesco proyecto de la China actual consiste en crear nuevas rutas terrestres de la seda en la gran masa continental euroasiática y, al mismo tiempo, abrir rutas marítimas hacia el Océano Índico, el Mar Rojo y el Mediterráneo, basándose en un enlace terrestre desde la China continental hasta el puerto pakistaní de Gwadar, y luego abrir, con la ayuda de Rusia, una segunda ruta marítima de la seda a través del Ártico hasta Hamburgo, Rotterdam y Amberes. Este colosal proyecto euroasiático es un gran desafío para el hegemón, que pretende continuar la política exclusivamente talasocrática y de contención del último Imperio Británico y, en consecuencia, sabotear todas las iniciativas destinadas a desarrollar las comunicaciones terrestres, ya sea por ferrocarril (como el Ferrocarril Transiberiano de 1904) o por vía fluvial, que podrían relativizar o minimizar la importancia de las comunicaciones oceánicas (las 'Autopistas del Imperio'). Los chinos son más seguidores de Friedrich List, un economista del desarrollo, que de Karl Marx. List fue también una de las grandes inspiraciones de Sun Ya Tsen, cuyo objetivo era sacar a China del "siglo de la vergüenza". Para contrarrestar este proyecto a gran escala, los Estados Unidos ya están sugiriendo una alternativa, también "Listianista", en medio de la crisis del coronavirus: bloquear a China desde Singapur y sugerir a Rusia la explotación de las rutas terrestres y ferroviarias de Siberia, o incluso la ruta del Ártico, que se acoplaría, mediante la construcción de un puente sobre el Estrecho de Bering, con rutas similares en el continente norteamericano. Esto también permitiría controlar la zona designada como "Gran Oriente Medio", que abarca las antiguas repúblicas musulmanas soviéticas y está bajo el mando estratégico del USCENTCOM, que sigue contando con el apoyo efectivo de la posesión de la pequeña isla de Diego García, un portaaviones insumergible en medio del Océano Índico. Sin ninguna proyección válida hacia el Mediterráneo y Asia Central, Rusia sólo conservaría su papel de "puente" entre Europa y China, cuya única política marítima tolerada se limitaría entonces al Mar de la China Meridional, por una parte, y al continente norteamericano, por otra. El plan final de la nueva política del Estado Profundo sería entonces: contener las ambiciones marítimas de China, incluir a Rusia en un proyecto siberiano/ártico en el que China ya no intervendría, controlar el Gran Oriente Medio, sin que ni China ni Rusia puedan controlar esta zona y este mercado de ninguna de las maneras.

La repentina irrupción del coronavirus y la culpabilización de la pandemia, que los caucus de los Estados profundos atribuyen a China y al laboratorio de Wuhan con fines propagandísticos, permite desplegar todas las estrategias y tácticas para contener a China en las aguas del Pacífico y dejarle el control directo sólo de las aguas cercanas a su costa, sin permitirle, por supuesto, saturar Filipinas y con, además, un Vietnam consolidado por la ayuda americana, como amenaza permanente en su flanco sur. El sitio "Asia Times", con sede en Tailandia, recordó, estos días, que el estado islámico estaba anotando puntos en Filipinas, para disgusto del presidente filipino Rodrigo Duterte, enojado con el hegemón y partidario de un acercamiento con China: en resumen, el escenario habitual...


Pepe Escobar esboza las dos primeras sesiones del 13º Congreso Nacional Popular, cuya tercera sesión debía celebrarse el 5 de marzo de 2020, pero que fue aplazada debido a la crisis del coronavirus. Ya se puede imaginar que China aceptará la ligera recesión que sufrirá y dará a conocer las medidas de austeridad que deberá adoptar. Para Escobar, las conclusiones de este 13º Congreso proporcionarán una respuesta a los planes ideados por los Estados Unidos y puestos en papel por el Teniente General H. R. McMaster. 
 
Este militar del Pentágono describe a China como una de las tres amenazas al "mundo libre" con : 1) El programa "Made in China 2025", destinado a desarrollar nuevas tecnologías, en particular en torno a la empresa Huawei y el desarrollo de 5G, indispensable para crear las "ciudades inteligentes" del futuro y en las que China, en todas las apariencias, está muy adelantada; 2) con el programa "Rutas de la Seda", a través del cual los chinos están creando una clientela de estados, incluido el Pakistán, y reorganizando la masa terrestre euroasiática; 3) con la fusión "militar-civil", una coagulación de las ideas de Clausewitz y List, en la que, a través de la telefonía móvil, China demostrará ser capaz de desarrollar grandes redes de espionaje y capacidades de ciberataque. A principios de mayo de 2020, Washington se negó a entregar componentes a Huawei; China tomó represalias colocando a Apple, Qualcomm y Cisco en una "lista de empresas poco fiables" y amenazó con dejar de comprar aviones civiles de fabricación estadounidense. Todo esto, y Escobar no lo menciona en su reciente artículo, en un contexto en el que China tiene el 95% de las reservas de tierras raras. Estas reservas le han permitido hasta ahora ganar puntos en el desarrollo de nuevas tecnologías, incluyendo 5G y la telefonía móvil, los objetos del principal resentimiento americano hacia Beijing. Para hacer frente al avance de China en este campo, el hegemón debe encontrar otras fuentes de tierras raras: de ahí la propuesta indirecta de Trump de comprar Groenlandia al Reino de Dinamarca, formulada el otoño pasado y reformulada en medio de la crisis del coronavirus. China está presente en el Ártico, al amparo de una serie de empresas mineras en una zona altamente estratégica: el llamado pasaje GIUK (Groenlandia-Islandia-Reino Unido) fue de extrema importancia durante la Segunda Guerra Mundial y durante la Guerra Fría. Todo el espacio ártico está volviendo a serlo, y más aún dados los recursos que contiene, incluidas las tierras raras de las que los Estados Unidos están tratando de apropiarse, y dado el paso del Ártico, liberado del hielo por los rompehielos rusos de propulsión nuclear, que se convertirá en una ruta más corta y segura entre Europa y el Lejano Oriente, que la que hay entre el complejo portuario de Amberes/Amsterdam/Hamburgo y los puertos de China, Japón y Corea. Por lo tanto, el hegemón tiene un doble interés en los proyectos de Groenlandia que está articulando: asentarse y aprovechar los activos geológicos de Groenlandia, y sabotear la explotación de la ruta del Ártico. ¡La crisis del coronavirus oculta este asunto geopolítico y geoeconómico que concierne a Europa en primer plano!


Volvamos al 13º Congreso Nacional Popular de mayo de 2020. Éste prevé como prioridad el desarrollo de las regiones occidentales (Sinkiang y Tíbet), el fortalecimiento de los lazos con las ex repúblicas soviéticas que limitan con esas regiones y, entre otras cosas, la construcción de puertos de gran calado y una acentuada política ecológica basada en el "carbón limpio". El problema es que la Iniciativa del Cinturón y la Carretera [« Belt & Road Initiative »] está al final de la lista de nuevas prioridades, lo que en sí mismo es un triste revés.

El hegemón parece estar cediendo un poco en Ucrania, Siria e Irak, pero Irán sigue siendo un enemigo que hay que eliminar o al menos hacerlo implosionar a través de las sanciones. La severidad de las medidas represivas del hegemón aumenta a medida que los europeos se centran en los efectos del Covid-19, a pesar de sus recientes llamamientos para que se relajen las sanciones y se invente una artimaña para eludir el embargo estadounidense, lo cual no está en absoluto en consonancia con sus intereses comerciales y geopolíticos. Irán sigue siendo un objetivo importante, a pesar de la centralidad de su territorio en la zona delegada al USCENTCOM o "Gran Oriente Medio": con el fin de controlar esta zona, que una vez fue la de la "civilización iraní", Washington trata de hacer implosionar su centro. La razón de este ostracismo anti-iraní tenaz y particularmente agresivo es doble: una es la continuación de una estrategia muy antigua, la otra está determinada por la existencia misma del excedente de petróleo que el Irán puede utilizar para establecer una hegemonía regional limitada. La muy antigua estrategia, articulada hoy por los Estados Unidos, tiene como objetivo prohibir a cualquier potencia que opere desde el territorio del Antiguo Imperio Parto entrar en la costa oriental del Mediterráneo. Los Estados Unidos, de hecho, se presentan, según el historiador-geopolitólogo Edward Luttwak, como los herederos de los imperios romano, bizantino y otomano en el Levante y Mesopotamia. La política romana desde Trajano hasta el colapso de los bizantinos en la región tras los golpes de los ejércitos musulmanes después de la muerte del Profeta era mantener a los persas fuera del Mediterráneo y de la Mesopotamia. La crisis del coronavirus permite, al abrigo de la atención de los medios de comunicación, demonizar aún más a Hezbolá en el Líbano, siendo este partido chiíta una antena iraní en las orillas del Mediterráneo oriental, al tiempo que es un sólido baluarte contra el enemigo oficial islamista-sunita (pero que es un verdadero aliado), representada por el EIIL, y permitir que Netanyahu y su nuevo gobierno compuesto y heteróclito se anexionen la Ribera Occidental, prácticamente eliminando los restos dejados a la ahora debilitada y desacreditada Autoridad Palestina. Con el telón de fondo del indescriptible caos que persiste entre Siria e Irak, el hegemón consolida el estado sionista, de hecho calificable como "judeo-herodiano" en el sentido de que los reyes de Herodes eran peones de los romanos, para hacer de Judea-Palestina una barrera infranqueable contra cualquier penetración persa. Europa, obsesionada por el invisible y quizás ficticio coronavirus, observa esta problemática mutación en funcionamiento en el Mediterráneo oriental sólo con un ojo muy discreto. El otro peón de Washington en la región es Arabia Saudita, cuya política se ha visto un tanto perturbada en los últimos meses, aunque no puede decirse que el acuerdo creado en la cubierta del edificio USS Quincy en 1945 por el rey Ibn Saud y el presidente Roosevelt se haya alterado fundamentalmente, Esto queda claramente demostrado por el apoyo occidental a las políticas belicistas y genocidas de los sauditas en el Yemen, donde mercenarios colombianos y eritreos están operando en medio de una crisis de coronavirus: En esta región altamente estratégica, el hegemón y sus aliados están avanzando peones mientras que los medios de comunicación están ocupando la opinión pública en la americanosfera con las espantosas historias de un coronavirus que no desaparecería con el calor del verano y que volvería al primer plano tan pronto como llegaran las primeras heladas del otoño. El escritor palestino Said K. Aburish ha recordado, en obras que apenas se citan en la polémica sobre el conflicto israelo-palestino, el papel siempre pro-occidental de los saudíes, aliados tácitos del proyecto sionista desde la Primera Guerra Mundial, proyecto imaginado por el biblista protestante Sykes. 

El valor añadido que el petróleo iraní puede representar para la República Islámica, como lo fue una vez para el Sha, podría servir a un polo económico euro-iraní, sin perjudicar en absoluto a Rusia, lo que el hegemón nunca ha admitido, que desea que no haya ninguna intervención (pacífica) europea o rusa o incluso india y china en este corazón territorial del "Gran Oriente Medio" que reserva exclusivamente para una próxima partida de póquer, con el fin de convertirlo en un territorio de "economía penetrada" con una demografía más exponencial que en el resto del mundo (aunque Irán está experimentando un cierto estancamiento de los nacimientos). El "Gran Oriente Medio" no es sólo una reserva de hidrocarburos, sino también una zona en la que todavía existen las gigantescas plantaciones de algodón de la antigua URSS, que son de interés para la industria textil americana.

Trump -a pesar de las promesas electorales y las esperanzas que había despertado en millones de ingenuos, que creían que iba a derrotar al Estado Profundo totalmente formateado por los cenáculos de los "neoconservadores"- no impidió el reclutamiento de una nueva generación de neoconservadores en el arcano de su gobierno y en el Departamento de Asuntos Exteriores de los Estados Unidos. Así, para el Medio Oriente, Simone Ledeen, hija del musculoso neoconservador Michael Ledeen, dará en el futuro los contornos de la política americana en esta región de grandes turbulencias. Es autora, junto con su padre, de un libro titulado How We Can Win the Global War, en el que Estados Unidos está acampado como un imperio del Bien, desamparado y asediado por una serie de enemigos perniciosos de los que se dice que Irán es el principal instigador, el centro de la conspiración antiamericana en el mundo. Esta nueva promoción de una dama neoconservadora del agua más pura, que se encuentra en la maquinaria de la política exterior neoconservadora desde 2003, tuvo lugar durante el período de la crisis del coronavirus.  

 
Finalmente, la crisis mundial del coronavirus camufla las actuales maniobras del hegemón en su propio hemisferio, buscando arruinar la dimensión cuatricontinental que el BRICS podría haber asumido cuando Brasil formaba parte de él y cuando Argentina estaba cerca de él. Hoy, en medio de la crisis del Covid-19, Estados Unidos está intensificando la presión contra Venezuela, agitando los disturbios en el Caribe donde está desplegando su flota, rebelándose contra la escolta de los petroleros iraníes por parte de la marina del IRI, cuando nada en el derecho internacional podría incriminar las relaciones comerciales bilaterales entre dos países boicoteados por Estados Unidos y, tras ellos, por toda la esfera americana. Al mismo tiempo, Trump, que fue elegido para contrarrestar las acciones del Estado Profundo pero que ahora las favorece a su manera, declaró su retirada del Tratado de Cielos Abiertos, que permitía a los signatarios vigilar los movimientos militares de los demás, en aras de la transparencia y la pacificación. Con la retirada estadounidense del tratado sobre el programa nuclear iraní, tenemos las premisas de una nueva guerra fría, premisas que Rusia deplora pero que, en Europa occidental, se borran deliberadamente de las preocupaciones de las masas, aterrorizadas por la progresión, real o imaginaria, del coronavirus, pegadas a sus pantallas para contar los muertos, preocupadas por la compra de máscaras o geles hidroalcohólicos o esperando el lanzamiento de una vacuna en el mercado farmacéutico. Durante estas prosaicas agitaciones, generadas por el poder blando y las técnicas de la guerra de cuarta dimensión, los peones americanos de la nueva Guerra Fría están avanzados, anclados en la realidad estratégica.

La crisis no congeló la dinámica de la geopolítica mundial; la camufló ante los ojos de las masas; inundó los medios de comunicación con noticias alarmantes, más o menos artificiales, mientras los protagonistas de la "gran política" acaparaban sus arsenales y desarrollaban estrategias para aplicarlas a partir de la tercera década del siglo XXI.

Robert Steuckers.